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Uma facção criminosa investigada por suspeita de influenciar nas eleições municipais de Sobral em 2024 e no processo eleitoral de 2026 cobrava até R$ 60 mil para permitir que políticos fizessem campanha em bairros da cidade. A informação foi repassada pelo Ministério Público.
Segundo apuração da TV Verdes Mares, o Comando Vermelho tentava manipular a escolha política dos eleitores por meio de coação e ameaça. Três vereadores foram presos e outros 11 mandados de prisão preventiva foram expedidos. A Operação “Omertá” foi deflagrada na manhã desta terça-feira (11).
Em coletiva realizada nesta manhã, representantes do Ministério Público e da Polícia Federal detalharam que o inquérito foi aberto em 2024, coletando depoimentos e evidências da influência da facção nos processos eleitorais.
Os indícios apontam que o ‘pedágio’ cobrado era de R$ 30 mil para candidatos que não tinham mandato e de R$ 60 mil para candidatos que já tinham mandato.
As práticas de ameaças também foram investigadas em relação ao processo eleitoral de 2026, com o cancelamento de eventos e reuniões de políticos que seriam realizados em Sobral, após ameaças de morte e de atentados contra estabelecimentos e pessoas envolvidas na organização desses eventos.
Ainda durante entrevista coletiva, foi detalhado que uma das pessoas alvos da operação, nesta terça-feira (11), é uma policial militar, que atuava no policiamento ostensivo, e que é casada com um chefe de uma organização criminosa em Sobral – que já estav preso.
A suposta influência de uma organização criminosa nas eleições municipais de Sobral em 2024 e no processo eleitoral de 2026 é investigado pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará (FICCO/CE), pelo Ministério Público Eleitoral, por meio da 3ª Promotoria Eleitoral, e pelo Grupo Auxiliar Eleitoral (GAEL).
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Operação cumpre diversos mandados de prisão preventiva e busca e apreensão em Sobral — Foto: Divulgação/ PF
A operação prendeu três vereadores de Sobral e os afastou dos cargos por 180 dias. Ao todo, a operação tem por objetivo cumprir 14 mandados de prisão preventiva (incluindo os três parlamentares), 25 de busca e apreensão e 5 medidas de afastamento cautelar de cargos públicos.
Segundo apuração da TV Verdes Mares, os vereadores presos são: Carlos do Calisto (PSB), Junim do Povo (Pode), e Mario Vicktor (União).
A defesa do vereador Mário Viktor, representada pelo advogado Wentony Morais, afirmou que, até o momento, não teve acesso integral aos autos. “Assim que tivermos conhecimento do conteúdo e dos elementos do processo, faremos a devida análise. Após essa avaliação, nos manifestaremos oportunamente à imprensa”, informou.
O PSB, partido de Carlos do Calisto, informou que a abertura de um processo ético é da iniciativa do diretório municipal do partido e que existe um rito a ser seguido pela Comissão de Ética. O g1 procurou as defesas e os partidos dos outros vereadores, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
A Presidência da Câmara Municipal de Sobral, ocupada pelo vereador Chico Jóia Júnior (União), informou que “à medida que tiver acesso às informações oficiais pertinentes, adotará, no âmbito de suas competências, as providências administrativas e institucionais que eventualmente se fizerem necessárias”. (Confira a nota na íntegra ao fim da reportagem)
As ordens judiciais foram expedidas pela 3ª Zona Eleitoral de Fortaleza. Os nomes dos demais alvos não foram divulgados. De acordo com o MP, estão entre os alvos da operação: vereadores de Sobral, um assessor jurídico da Câmara Municipal e integrantes de uma facção criminosa. Uma policial militar e agentes públicos foram afastados das funções por 180 dias.
Segundo a Polícia Federal, um advogado também está entre os alvos. Ele é suspeito de integrar a estrutura da organização criminosa, exercendo funções relacionadas ao núcleo de liderança e de execução de ordens voltadas à interferência no processo eleitoral.
Buscas e apreensões de aparelhos celulares, documentos e outros materiais também integraram a ação. A operação também aplicou medidas cautelares, como a proibição do contato entre investigados e testemunhas.
Outra medida cautelar é para que a Câmara Municipal de Sobral apresente uma relação completa dos ocupantes de cargos comissionados, funções de confiança e contratados temporários vinculados à Casa, segundo a Polícia Federal.
Se condenados, os investigados podem responder pelos seguintes crimes:
Conforme o Ministério Público, o nome da operação faz alusão a um rígido código de honra e silêncio da máfia italiana, que proíbe qualquer cooperação ou contato com autoridades policiais e judiciais. A quebra desse juramento significa traição ao grupo, sob pena de morte na cultura do crime organizado.
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Operação do MPCE e órgãos parceiros cumpre mandados de prisão e busca e apreensão em Sobral. — Foto: Divulgação/MPCE
Por meio de nota, a Presidência da Câmara de Sobral destacou que aguarda receber mais informações oficiais do caso e que tomará as medidas cabíveis conforme o desenrolar do caso. Confira na íntegra:
A Presidência da Câmara Municipal de Sobral informa que tomou ciência, na manhã desta terça-feira (11), de operação realizada por autoridades competentes, envolvendo medidas decorrentes de decisão judicial em face de alguns membros desta casa legislativa.
A Câmara Municipal de Sobral reafirma seu compromisso com a transparência, legalidade, o respeito às instituições e o regular funcionamento das atividades legislativas e administrativas.
A Presidência acompanha os desdobramentos do caso e, à medida que tiver acesso às informações oficiais pertinentes, adotará, no âmbito de suas competências, as providências — administrativas e institucionais que eventualmente se fizerem necessárias.
A Câmara Municipal de Sobral permanece à disposição das autoridades competentes para colaborar com o que for necessário, dentro dos limites de suas atribuições institucionais.
Por Redação g1 CE